Cotações em baixa surpreendem, mas não há motivos para grandes preocupações

Em 2011 o preço de comercialização do suíno vem caindo semana após semana. No início de janeiro a explicação era que após as festas de fim de ano, onde tradicionalmente o consumo desse tipo de carne é maior, o mercado costuma observar certa retração, porém o que se vem observando é uma retração constante e atípica, fazendo com que só nesse ano as quedas já superem, segundo o Jornal Folha de São Paulo, uma margem de 23% ante ao mesmo período de 2010.

Os motivos para as baixas variam entre férias escolares, preço elevado do milho (principal insumo da ração de suínos), calor excessivo e as exportações que ainda não foram totalmente retomadas, fazendo com que certa quantidade de animais de grandes estados produtores, como Santa Catarina, permaneçam em circulação interna, gerando grande oferta cuja demanda tem dificuldade de acompanhar, reduzindo as cotações do suíno, que passam a firmar seus valores, historicamente, em abril, após a semana santa.

O Distrito Federal não foge desse panorama geral do país. Hoje a capital está cotando a saca do milho a R$ 32,00, valor 37,5% maior se comparado há alguns meses, quando já chegou a custar R$ 20,00. A análise que se faz é que com altos custos de produção e baixos valores de repasse naturalmente se gera uma situação comercial negativa, pois o mercado só é lucrativamente favorável quando a produção é igual ou menor do que o consumo interno que, segundo Portal do Agronegócio, foi responsável por manter grande parte dos produtores na atividade em 2010.

Contudo, não há motivos para grandes preocupações. Para Marcelo Lopes, presidente da Associação dos Criadores de Suínos do DF, “Nesse período a cidade de Brasília é um pouco retraída nas vendas, mas com a volta às aulas e a retomada do plenário já se espera uma recuperação. Dezembro manteve um alto número de vendas, o que possibilitou ao produtor manter sua margem de rentabilidade”. Além disso, é preciso ressaltar que, ainda assim, a remuneração do suinocultor supera a do mesmo período do ano passado, motivo que se verifica, entre outros fatores, pelo PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro que, mesmo com o anunciado crescimento limitado, aponta para uma ascensão, aumentando o poder compra do consumidor. Em 2011, o Ministério da Fazenda prevê crescimento do indicador econômico em 5,5%. Para os abatedouros o ano possui boas perspectivas, pois se o real continuar valorizando frente ao dólar, o mercado interno deve continuar sendo a melhor opção para as indústrias frigoríficas. Enfim, é preciso esperar, pois ao que tudo indica 2011 será um ano favorável à suinocultura, que continua ganhando destaque por meio das diversas ações, como o PNDS, Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, promovido pela ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos) cuja meta é elevar em  2 quilos per capita o consumo de carne suína no país.

 

José Maurício de Oliveira Júnior.

 

Estado Max.
DF 2,35
SP 2,40
MT 2,11
MS 1,80
GO 2,50
MG 2,60

Fonte: CEPEA/ ESALQ
Validade: 27/04/2012

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